Lembro-me de um povoado em que
tive o ensejo de conviver, mais precisamente na última infância; à mando do meu
genitor que é orgulhoso de onde veio, nunca deixando de lado suas raízes.
Para um menino que nascera
e se desenvolvera na capital, é considerado em dias atuais, uma chatice se
deslocar mais de 110 quilômetros numa estrada esburacada em grande parte e sem falar
na parte em que carro tem acesso a pista de carroçal .
Não era fácil chegar lá e, ao mesmo tempo, não sabia o significado de que o
termo Serra Branca representava para
a vida de meu pai. Hoje no advento da minha maturidade, tenho consciência da importância
daquele lugar, que fica no distrito de Canindé, o qual significa tanto para o
Zé Dora. Tudo que possa simbolizar o interior das ‘’ brenhas’’ estava ali.
Há um resquício de nostalgia da
querida Serra Branca de minha pessoa, das vezes em que eu tomava banho de açude
junto com os meninos do sertão, recordo-me com orgulho, na verdade ouvi falar ,
das madrugadas quem meus pais saíam com os vaqueiros para me levar para um
posto de saúde mais próximo, em decorrência da minha companheira inseparável de
infância: A asma; da ida do homem com seu jumento e dois Barris para ir em
busca de água na cachoeira perto da casa do Vangela.
Era sertão, mas eu, uma criança na
idade das interrogações, me encantava com as surpresas que me disponibilizava:
A aventura de ir no emaranhado da Serra para a extração do mel de italiana e
como consequência ferroadas das abelhas que levavam dias para desaparecer, a ‘’
Cumade’’ D’lurde e seus 14 filhos, a dona Senhorinha e seu cigarro de paia.
Mais por que Serra Branca? Confesso que
nunca entendi o motivo da termologia, assim como o ‘’ Fresco’’, local de
diversão daquele povoado e dos ‘’ Riscas-facas’’, quando fechava o tempo, a
confusão era garantida.
E se eu mencionar a escalação do time
Serra Branca Futebol Clube: Vangela no gol; sistema defensivo formado por Tô, Tengo,
Coca e Bena; meia cancha com Joãoquiel, Antônio Doca, Naldo e na criatividade o
camisa dez Sentá e a dupla de ataque com Piteca e Chitoca. O técnico e o renomado
e experiente Zé Dora.
De muito posso me lembrar. São paisagens,
personagens, sotaques, costumes que faz referência ao vaqueiro, a boiada, a
casa grande, A vida do viajante – tem como esquecer através desses quesitos do
sertão a figura do Rei do baião, a Majestade que levou o nordeste a status de patrimônio
cultural-histórico dos Brasileiros
É Pai... O senhor tem razão. Com nossas
viagens para onde o senhor se fez valer como caboclo, me fez chorar, sorrir, me
fez admirar um povo que sempre encontrou nos traços regionais uma forma de
viver com simplicidade e com ares de felicidade. É desejo meu retornar lá para
ver o açude da senhorinha ‘’ sangrar’’, não tendo seca do quinze e Tigre da
serra que me impeça, podendo ir no trem do viajante sem nenhuma pressa.
Se a Serra Branca tiver o ímpeto de
deixar uma mensagem vital para os sonhadores, a mim ela foi transmitida, que sempre
haverá um lado sertanista dentro de cada um de nós.
Nenhum comentário:
Postar um comentário